terça-feira, 28 de outubro de 2008

Calminianismo: Meio-Termo?

Calminianismo: Meio-Termo?

Mesmo sem conhecerem o termo "Calminianismo" é comum vermos cristãos que dizem que preferem adotar uma postura mediana entre o calvinismo e o arminianismo.
Seria o meio-termo entre os dois.

Mas será possível haver um "meio-termo" em posições tão opostas e binárias?
Os 5 pontos calvinistas são coerentes entre si - negar um deles é desmontar todo o sistema:
1 - Depravação total
2 - Eleição incondicional
3 - Expiação limitada
4 - Graça Irresistível
5 - Perseverança dos Santos

Os 5 pontos arminianos são coerentes entre si - negar um deles é desmontar todo o sistema:
1 - Arbítrio Liberto
2 - Eleição condicional
3 - Expiação ilimitada
4 - Graça resistível
5 - Decair da Graça

Ou seja, os 2 sistemas são coerentes e por uma questão de lógica não dá pra fazer um misto dos dois. Alguém até pode crer em 3 pontos da TULIP e 2 pontos arminianos. Mas isso é altamente incoerente e sem lógica!

Também não tem como pegar cada ponto e tentar um meio termo.
1 - Ou o homem tem capacidade de escolher a salvação ou não tem. Não tem opção C.
2 - Ou a Eleição é condicional ou é incondicional. Não tem outra opção.
3 - Ou a Expiação é ilimitada ou não é. Não existe mais ou menos limitada.
4 - Ou a Graça é irresistível ou é possível resistir. É uma ou outra.
5 - Ou é possível perder a salvação ou é impossível. Não tem meio-termo.

Claro que existem variações desses sistemas, mas todas apenas super-enfatizam um ponto dos sistemas acima. Em suma, todos os sistemas se aproximam ou do arminianimo ou do calvinismo.

O Catolicismo exagera no ponto "1" ao dizer que além de crer o homem deve praticar obras pra ser salvo.
O Pelagianismo exagera no ponto "1" ao dizer que o homem pode escolher a salvação sem ação do Espírito Santo.
O Teísmo-Aberto exagera no ponto "2" ao dizer que Deus não sabe o futuro.
O Ultra-Arminianimo exagera no ponto "5" diz que a cada pecado a pessoa perde a salvação.

O Calvinismo erra nos "5 pontos" ao super-enfatizar a soberania de Deus tranformando-o num ditador tirano.
O Hiper-calvinismo exagera no ponto "2" da TULIP ao dizer que Deus determinou tudo (determinismo).

Por isso tudo percebe-se que é infrutífera a tentativa de conciliar calvinismo e arminianismo. Pode-se aprender com ambos, mas não dá para crer em ambos.

Resta então a pergunta principal: qual desses sistemas é bíblico?
Leia os artigos e posts desse BLOG e descubra!

10 comentários:

Anônimo disse...

Que tal a minha proposta de deixar de crer nestes sistemas... São sistemas fechados, resultantes da reflexão em momentos históricos, influenciados por diversas correntes teologicas e filosóficas.
Por que tenho necessidade de ser 'calvinista' ou 'arminiano'. Está me parecendo que estamos voltando ao estágio infantil no qual os coríntios encontravam-se: sou de Paulo, sou de Apolo, sou de Pedro.
Abraço,
Matias

Clóvis disse...

Cleber,

Excelente post! De fato, não é possível uma via média entre os dois sistemas. No passado já tentaram isso e o resultado é algo desconjuntado, que manca e vaza por todos os lados. A última tentativa que vi foi a de Norman Geisler, em seu livro "Eleitos, mas livres". No afã de ser tanto calvinista como arminiano consegiu não ser nenhum.

Por outro lado, sei que há pessoas que são sinceras e dizem ser calvinistas de 4 pontos (excluem a redenção particular) ou de um ponto só (crêem apenas na preservação dos santos). Na minha experiência, comecei com um ponto, mas foi inevitável que abraçasse os cinco pontos. Assim, embora ache estranho, compreendo aqueles que não esposam os cinco pontos dos dois sistemas. Acredito que o estudo cuidadoso o levará a definir-se por um deles, mantendo o respeito pelo outro.

Porém, acho que a discussão em cima dos cinco pontos acaba por ser um debate "teológico", se é que me entende. Parte-se da premissa que um deles é verdadeiro e outro é falso. Isso acaba levando a erros de seleção de amostra, ou seja, o juntamento de textos-provas.

Se pudéssemos reduzir todo o sistema calvinista num ponto e também o sistema arminiano em um ponto, qual seria ele?

Taí, uma sugestão: que tal você discorrer sobre "O" ponto do arminianismo. Eu poderia arriscar a falar sobre "O" ponto do calvinismo.

Em Cristo,

Clóvis
PS.: Se me permite uma correção em seu ótimo post, gostaria de recomendar aos interessados em saber qual dos dois sistemas é o mais bíblicos, que leiam a Bíblia. É pelo seu crivo que qualquer doutrina ou sistema teológico deve ser passar.

cincosolas disse...

Cleber,

Não sei se já lhe perguntei isso, se não, pergunto agora. Na verdade, é um pedido.

Gostaria que apresentasse a sua definição para livre-arbítrio.

Em Cristo,

Clóvis

Cleber disse...

Matias,
encaro tudo como uma questão de lógica...

Eu só uso o termo "arminiano remonstrante" para facilitar a comunicação...

Prefiro dizer que sou apenas bíblico, mas mesmo negando os termos sempre temos nossas posições.

Tenho um amigo que crê em batismo no ES e dons espirituais, mas não gosta de se dizer pentecostal.
Pode não gostar, mas esse é o termo que o define.

Pra mim os termos não indicam partidarismo, mas ajudam a comunicação.

Seria partidarismo se isso me impedisse de comungar com um calvinista ou um reformado, o que não é o caso.

Cleber.

Cleber disse...

Clóvis,
primeiro deixa eu contar um coisa: me converti na Brasil Para Cristo, e tenho um carinho grande pela denominação em que vc congrega.

Vamos lá: tbm respeito a sinceridade e a opção de cada irmão em Cristo sobre mesclar pontos arminianos e a TULIP.
Acho ilógico, mas respeito.

Mano, sua experiência é típica.
Certamente vc começou a questionar um ponto depois de ler artigos reformados, correto?

É o que tenho dito:
Quem lê a Bíblia livremente se alinha automaticamente ao arminianismo.
Só depois de ler muitos artigos de teólogos reformados é que as algumas pessoas migram para o calvinismo.

Tbm acho que a coerência não prova nada. Tem que ser bíblico!!

Sobre sua proposta de "O" Ponto vou ver se consigo um tempinho pra bolar algo.

Sobre o livre-arbítrio explanei o conceito no post sobre "Arminianismo na Bíblia".

Em Cristo,
Cleber.

cincosolas disse...

Cleber,

Paz!

Que bom saber que o irmão foi chamado em minha denominação. Eu admiro várias denominações e sei que a minha não é perfeita, mas dou glórias a Deus por ter me chamado nesta igreja e ter me entregue aos cuidados de irmãos de nossa igrejinha local. Deus tem sido bom para mim!

Voltando ao nosso tema. O irmão se refere à minha experiência supondo que comecei a "um ponto depois de ler artigos reformados, correto?". E conclui que "quem lê a Bíblia livremente se alinha automaticamente ao arminianismo. Só depois de ler muitos artigos de teólogos reformados é que as algumas pessoas migram para o calvinismo."

Não foi a minha experiência. Ainda vou postar um relato da minha jornada até as doutrinas da graça, mas por ora apresento de forma bem resumida.

Quando me converti, ninguém me ensinou sobre livre-arbítrio ou sobre perda de salvação. Mas li muito a Bíblia (tenho vergonha de meu descuido atual) e nela descobri e conclui que o homem não tinha capacidade de ir a Cristo por si mesmo e que o crente não perde a salvação. Jamais li qualquer livro ou artigo sobre arminianismo e calvinismo até esse ponto em minha caminhada. O mais perto que cheguei foi aquele livretinho das quatro leis espirituais e um muito bom sobre o coração do homem, que eram distribuídos gratuitamente.

Eu lia na Bíblia sobre a eleição divina mas não tinha uma compreensão clara do assunto. O primeiro artigo que li sobre o assunto foi numa revista de EBD da CPAD, onde o autor explicou que a eleição era com base na presciência. A verdade é que a defesa dele me parecia inconsistente e nela ele atacou o um tal de calvinismo. Foi a primeira vez que li essa palavra.

Ainda a partir do texto da revista, comecei a ler na Bíblia sobre eleição, e as coisas não se encaixava. Em visita a um irmão, presenciei uma discussão em que ele e outra pessoa criticavam um professor que era "calvinista radical". Sinceramente, eu nunca tinha visto um calvinista na minha frente, mas a nova referência negativa chamou a minha atenção.

Então eu li um artigo, se não me engano um sermão do Spurgeon sobre eleição e me pareceu mais consistente e alinhado com o que eu tinha lido na Bíblia. Comparei as duas interpretações e não gostei de saber que eu concordava com o tal do calvinismo. Por isso nunca expressei meu calvinismo de três pontos.

Foi só depois de já ter firme a posição quanto aos três pontos, que eu nem sabia que eram três pontos, que eu soube que calvinismo tinha a ver com João Calvino. Então li sobre os cinco pontos.

Quanto aos dois pontos faltantes, foi só ler sobre a chamada eficaz que concordei de imediato. Confesso, não foi pela argumentação bíblica, foi pela minha experiência de conversão. Na verdade, quando leio sobre esse ponto, o filme de minha conversão passa na minha mente.

Quanto ao ponto faltante, a redenção particular, eu simplesmente disse: jamais eu acreditarei nisso. E passei anos lutando contra ela. Até que não mais podendo negá-la, rendi-me, mas a contra gosto. Até que li "a morte da morte na morte de Cristo" e então não apenas aceitei como passei a amar essa doutrina.

Como vê, meu calvinismo sofre das imperfeições de quem constrói uma casa sem seguir uma planta pré estabelecida. E eu dou graças a Deus por isso.

O primeiro livro calvinista que eu li foi "A doutrina da predestinação", de Boettner, e não faz muito tempo. Até a dois anos atrás, nunca tinha lido um livro de Calvino. Mas desde Boettner, tenho lido vários livros sobre o assunto e minha biblioteca, em termos de volumes, ainda é mais arminiana que calvinista, com exceção de teologia sistemática, que infelizmente o arminianismo tem uma produção pobre em português, embora haja muitas boas obras esperando tradução.

Desculpe o "jornal" (tamanho do comentário).

Em Cristo,

Clóvis

Cleber disse...

Mano,
vc disse:

"conclui que o homem não tinha capacidade de ir a Cristo por si mesmo"
Isso o arminianismo tbm ensina. Até aqui é terreno comum.
Quem lê a Bíblia conclui isso naturalmente.

"e que o crente não perde a salvação"
Vc concluiu isso sozinho lendo a Bíblia?
Olha... vc é a primeira pessoa que conheço que concluiu isso sem ler algo calvinista.

"Eu lia na Bíblia sobre a eleição divina mas não tinha uma compreensão clara do assunto."
Geralmente esse é o ponto que mais suscita dúvidas entre os novos convertidos, especialmente os textos sobre predestinação.
E é aqui que normalmente alguns caem na "lábia calvinista: - vc crê em predestinação ou em livre-arbítrio?"
Perguntam isso como se uma coisa excluisse a outra. O arminiano crê nos dois.
Mas ficou claro que só lendo Spurgeon que vc adotou esse ponto calvinista.
Dificilmente vc chegaria às conclusões calvinistas apenas lendo a Bíblia, e sem ler autores reformados.

"foi só ler sobre a chamada eficaz que concordei de imediato"
Mais um ponto influenciado pela literatura calvinista.

"Quanto ao ponto faltante, a redenção particular, eu simplesmente disse: jamais eu acreditarei nisso ... Até que li "a morte da morte na morte de Cristo" e então não apenas aceitei como passei a amar essa doutrina."
Mais um ponto influenciado pela literatura calvinista.

Ou seja, de 5 pontos calvinistas, um deles vc assumiu lendo a Bíblia.
Os demais foi lendo material calvinista.

No final das contas, vc acabou confirmando minha tese.

PS.: Vc tá me devendo uma resposta.
Vc disse outro dia que acha o arminianismo um sistema incoerente.
Realmente fiquei curioso: vc poderia me mostrar onde vc vê incoerência entre os 5 pontos arminianos?

Cleber.

cincosolas disse...

Cleber,

Vamos aos seus comentários ao meus comentários aos seus comentário rsrsrsrs.

"Isso o arminianismo tbm ensina. Até aqui é terreno comum. Quem lê a Bíblia conclui isso naturalmente."

Não acredito que seja. Lembre-se que o no artigo em que escreveu e que estamos comentando você disse que os 5 pontos dos dois sistemas são auto-excludentes. Eu penso hoje da mesma forma que pensava quando me converti.

"Olha... vc é a primeira pessoa que conheço que concluiu isso sem ler algo calvinista".

Isso porque você vive hoje e não a alguns séculos atrás. Pois o espanto de antigamente era alguém acreditar na perdibilidade da salvação. Mesmo que até hoje muitos que deixaram de ser calvinistas mantém a segurança dos salvos. O próprio Armínio morreu sem abandonar a doutrina da perseverança dos salvos.

"Mas ficou claro que só lendo Spurgeon que vc adotou esse ponto calvinista."

Ficou claro que eu li uma argumentação arminiana antes, que não me convenceu.

"Dificilmente vc chegaria às conclusões calvinistas apenas lendo a Bíblia, e sem ler autores reformados"

Parece que você você tem pouca confiança em que se a Bíblia ensina o arminianismo ela seja suficiente para evitar o crente de ser levado "na lábia calvinista". Eu de minha parte, incentivo os crentes a lerem autores arminianos, desde que leiam também a Bíblia. Parece que você acredita que os problemas arminianos cessariam se não tivesse livros calvinistas. Pois eu leio e indico bons autores arminianos, desde que a pessoa leia também a Bíblia.

O fato de que a maioria das pessoas que não leêm livros calvinistas são arminianas tem outra explicação.

"Mais um ponto influenciado pela literatura calvinista."

Você ignorou o que eu disse. Eu falei que quando li sobre a chamada eficaz, me convenci pela minha experiência de conversão. Só para você saber, eu não fui à frente, fui arrastado à frente! E não foi por um diácono.

"Mais um ponto influenciado pela literatura calvinista."

Este foi, de fato, o único ponto em que a literatura calvinista foi determinante. Me parecia indigesta demais.

"Ou seja, de 5 pontos calvinistas, um deles vc assumiu lendo a Bíblia.
Os demais foi lendo material calvinista."

Faça as contas de novo. É só contar nos dedos.

"No final das contas, vc acabou confirmando minha tese"

Eu não estava querendo provar ou refutar tese alguma. Estava apenas apresentando a minha experiência, que por ser experiência pessoal não prova nada. Comigo foi assim. Com outros foi diferente, lendo livros calvinistas. Outros nasceram em igrejas reformadas e são arminianas, sem ler obras arminanas.

O que eu quis dizer é que, no meu caso, não me tornei calvinista por ler Calvino, Spurgeon, etc.

"Vc tá me devendo uma resposta. Vc disse outro dia que acha o arminianismo um sistema incoerente.
Realmente fiquei curioso: vc poderia me mostrar onde vc vê incoerência entre os 5 pontos arminianos?"

Eu não havia visto a pergunta ainda. Peço que seja um pouco paciente. Assim que puder escrevo a respeito. No momento estou "pensando" a sua resposta firme.

Que o senhor te abençõe sempre, irmão.

Em Cristo,

Clóvis

Cleber disse...

Mano,
não tenho problemas em ler livros sobre calvinismo, liberalismo, teologia da libertação, etc... pq minha fé é sólida.

Mas sei que uma pessoa com pouca bagagem bíblica tem grandes chances de se influenciar ao ler certos livros.

Esse é o problema por exemplo de muitos cristãos que por falta de bagagem entram em seminários liberais e acabam perdendo a fé. Quem tem bagagem sólida não vai se deixar influenciar, pelo menos não facilmente.

Mas O PONTO QUE QUIS DESTACAR é que dificilmente alguém chegaria aos 5 pontos calvinistas apenas lendo a Bíblia.
O natural ao ler a Bíblia é concluir os 5 pontos arminianos.

Uma pessoa que nasceu na igreja presbiteriana e leia apenas a Bíblia tem mais chance de assumir o arminianismo do que uma pessoa nascida na Igreja Batista assumir o calvinismo apenas lendo a Bíblia.

PS.: Minha experiência de conversão tbm foi muito forte... eu não quis resistir àquela experiência maravilhosa que tive. Mas nem por isso digo que a graça é irresistível.

PS.2: Vou esperar com paciência a resposta sobre a "incoerência dos 5 pontos arminianos"....heheheh

Cleber

Cleber disse...

"descobri e conclui que o homem não tinha capacidade de ir a Cristo por si mesmo"

"Isso o arminianismo tbm ensina. Até aqui é terreno comum. Quem lê a Bíblia conclui isso naturalmente."

"Não acredito que seja. Lembre-se que o no artigo em que escreveu e que estamos comentando você disse que os 5 pontos dos dois sistemas são auto-excludentes. Eu penso hoje da mesma forma que pensava quando me converti."

Clóvis,
o arminianismo prega que o homem não tem capacidade de ir a Cristo por si mesmo.
Se te falaram algo diferente é mentira.

O que acontece é que após sermos chamados por Deus podemos aceitar ou rejeitar o chamado.